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Programar é legal e nem sempre funciona


Ilustração: Raiana Brito

Raiana Britto (@raianabritto)

• Artista Visual • Designer Gráfico •


Hoje é um dia daqueles! Muitas decisões importantes precisam ser tomadas. E, nesses dias, é bem difícil falar de amor, né? É mais difícil ainda pensar positivo no meio do turbilhão de coisas que insistem em "dar errado", quase que sincronizadas. Quando eu penso em amor, ainda nem cheguei em questões de afetos compartilhados com 'outres'. Ainda é sobre o tal do amor próprio. Aquele que não deveria deixar você se sentir burra por ser enganada ou não entender alguma questão burocrática.


Mas, em dias e semanas difíceis, a primeira coisa que eu paro de fazer é lavar meu rosto com o sabonete que tem somente essa função, lavar o rosto. Digo isso para dar um exemplo bem simplório de onde começa o efeito dominó que me abala em tempos assim. Começa em mim, nas inseguranças interiores, nos medos exteriores e tudo aquilo de confuso que, muitas vezes, não podemos evitar.

Pensei demais no que dizer hoje, mas eu só posso tentar recomeçar, sabe? Voltar a lavar o rosto, tentar não perder a fome na fantasia de pensar nos problemas exaustivamente até que eles me alimentem e embrulhem o estômago. Então eu posso dizer que "estou sem fome".


Posso também fazer uma coisa de cada vez enquanto recalculo a rota. É uma delícia chegar ao fim do dia e listar tudo o que conseguiu fazer, mas não podemos deixar que a meta de bater o nosso próprio recorde nos aprisione mais uma vez na ilusão do inatingível.


Tem uma moda que está super em alta: o ser humano workaholic que não descansa. Tenho muitos amigos assim e, sempre que penso em desistir ou dizer que não consigo, em sou impactada pela imagem de algum deles na minha cabeça dizendo: "é errado não ser do nosso time". Se está todo mundo acordado, trabalhando, em reuniões noturnas e dando conta das demandas até 2 horas da madrugada, quem você pensa que é para sentir sono 0 horas? "Acorda e arruma um segundo emprego ou então não reclama de falta de dinheiro! Quem é CLT não se cansa."


A gente sabe que cada um tem sua estrada e o que te move diante dos obstáculos. Mas isso não nos impede o ato quase sempre natural de julgar o cansaço, o limite, as escolhas do outro. E no dia que estamos empolgadíssimas, isso é o que nos impulsiona a agir com superioridade numa conversa "amigável" com alguém que pensa e sente diferente de você. Não podemos só exigir que as pessoas entendam nossas fragilidades, precisamos aprender a ter empatia mesmo quando não é a nossa pele que está sensível.


Se é que eu ainda tenho leitores até aqui, podem estar pensando: Lugana, esse texto é sobre o quê? Gente, é desabafo, vida real, caos, cansaço. Desculpa! Até quarta que vem.

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