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Engatinhar e balbuciar desejos…

Sabe aqueles dias que você se acha completamente incapaz, incompetente e incoerente?! Então, esses foram meus últimos quinze dias. Mas escolhi, nesse meio tempo, não ficar sentindo pena de mim ou me maltratando. Decidi que iria olhar para aquilo que me incomodava como fazemos na meditação: o pensamento vem e a gente deixa ele passar, como uma nuvem, focando na respiração, isso fica bem mais fácil.


Nem sempre é assim, nem sempre dá certo, nem sempre eles se vão, ás vezes fica ali por mais tempo que deveriam. Nos primeiros dois dias era só inércia mesmo, repouso total e alienação. Indisposição até para gerir o básico da vida. Porém, a cabeça começou a explorar outros lugares, a pensar em outras formas, a sensação de desalinho comigo e os planos que tracei, parecia estar cada vez mais espaçado, mais distante.


No terceiro dia, fui tomada por uma força extraordinária de mudança. Mas ela não começa gigantesca. Essa é a mentira mais bem contada de todos os tempos. E para nossa geração, parece que tudo precisa ser imediato. Esquecemos que para andar, antes é preciso engatinhar ou que para falar, primeiro se balbucia. Ninguém nasce falando frases completas ou correndo meia maratona. Assim, eu comecei só movendo as caixas de lugar, rasgando o que não servia, tirando a poeira, passando um pano molhado, um lustra móveis. E, quando menos esperava, quando percebi, tinha montado uma estação nova de trabalho.


Separei ferramentas, papéis, tintas, tecidos, fitas, linhas, organizei a bancada e uma onda criativa invadiu tudo, como se eu tivesse aberto uma porta que a tempos estava escondida entre tralhas e entulhos. Sinceramente, não sei se isso vai durar uma semana ou dois anos. Não sei se isso se dá por mais uma volta em torno do sol que concluo na próxima semana, (aquela história de inverno / inferno astral) ou se é só a minha necessidade de mudança e micro-revoluções.


O que sei é que tem me feito muito bem reorganizar as escritas, as costuras, as colagens, as pinturas e os pensamentos, sem que isso seja a última ordem para a grande mudança. Mas, engatinhar e balbuciar desejos, como uma criança que só deseja mesmo, descobrir mais do mundo, mais de si, e infinitamente, mais de nós.


Que bom que estamos juntas nessa jornada!

Colagem: O Mapa da Mina | Adriele Regine

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